domingo, 31 de outubro de 2010

Lobão

O Rebelde






João Luíz Woerdenbag Filho, mais conhecido pelo nome artístico de Lobão (Rio de Janeiro, 11 de outubro de 1957) é um cantor, compositor, músico e apresentador de televisão brasileiro. Sua carreira musical é marcada por grandes parcerias; compôs sucessos como "Me Chama", muito famosa na voz de vários intérpretes, e "Vida Louca Vida", conhecida na voz de Cazuza. Realizou um encontro da música pop com o samba em seu disco Cuidado!, que teve a participação da Estação Primeira de Mangueira.








Vida pessoal


Nascido em 1957 no Rio de Janeiro, Lobão possui ascendência Holandesa.







 Carreira


Sua carreira começou aos dezessete anos, depois de sair de casa para se tornar músico profissional. Participou de uma peça teatral e em seguida formou uma banda: Vímana, da qual faziam parte Lulu Santos, Ritchie, Luis Paulo e Fernando Gama. Três anos depois, com o fim do grupo, Lobão seguiu sua carreira de baterista, tocando com Luiz Melodia, Walter Franco e Marina Lima. Fundou a banda Blitz com Evandro Mesquita, Fernanda Abreu e outros, mas por divergências ideológicas, saiu do grupo antes mesmo do sucesso comercial. Foi Lobão quem deu o nome à banda, às vésperas de um show, após uma indecisão do grupo.





 

Carreira solo


Lobão, começa sua carreira solo com o lançamento de Cena de Cinema, em 1982. Em seguida forma a banda "Lobão e os Ronaldos" (que tinha na sua formação a cantora e tecladista holandesa Alice Pink Pank, ex-Gang 90 e as Absurdettes), que lança Ronaldo Foi Pra Guerra. Apesar do estrondoso sucesso de "Me Chama", a banda tem uma vida curta e Lobão segue carreira solo mantendo alta rotatividade na mídia, lançando o single "Decadence Avec Elegance" (1985) e o álbum O Rock Errou (1986), do qual "Revanche" se torna o carro-chefe. Logo após seu lançamento, Lobão é preso por porte de drogas, passando um ano na cadeia. Ali ele desenvolve o disco Vida Bandida, voltando aos holofotes. Depois de um flerte com o samba-rock (mal-sucedido) e participações nos festivais Hollywood Rock e Rock in Rio II (onde recebeu uma vaia histórica), Lobão passa um período fora da mídia.






Suas atitudes polêmicas voltariam a ter evidência em 1999 depois de seu rompimento com as gravadoras e o lançamento de A Vida é Doce num esquema inédito, com distribuição pela internet, bancas de jornais e lojas de departamento.






Após o sucesso da vendagem e de crítica com seus discos independentes A Vida é Doce (1999) e 2001: Uma Odisséia no Universo Paralelo (2001), lançou a revista Outracoisa, através da qual lança bandas e músicos de maneira independente, tais como Cachorro Grande, B.Negão e Arnaldo Baptista. Seu último disco, lançado em 2005, o Canções Dentro da Noite Escura, foi também lançado pela revista com tiragem inicial de 20.000 exemplares.







 Editor


Em 2003, Lobão lançou a revista cultural Outracoisa, com a parceria da L&C Editora. Essa revista reúnia participações de músicos e pensadores do Brasil, entre eles José Celso Martinez Corrêa, Silvio Essinger, Angeli, Laerte, Adão Iturrusgarai, Zé da Silva, Martha Medeiros, Adilson Pereira e outros.





 

Televisão






A partir de 2005, Lobão se envereda pela televisão, onde apresentou o programa Saca Rolha, na PlayTV, junto com Marcelo Tas e a modelo Mariana Weickert. Os três recebiam todos os dias convidados para juntos debaterem temas nacionais e internacionais. Atualmente trabalha como apresentador na MTV, moderando o programa MTV Debate e apresentando o programa Lobotomia. Lobão fez uma participação como jurado no Astros, do SBT.



 



Acústico MTV


Em abril de 2007 foi lançado o álbum Acústico MTV, que foi premiado com o prêmio Grammy Latino na categoria melhor disco de rock, e como o próprio Lobão caracterizou, foi uma seleção "parcial" de sucessos do músico, contando, inclusive, com a participação especial do grupo lançado pela revista Outracoisa, Cachorro Grande.





Discografia


(1982) Cena de Cinema


(1984) Ronaldo foi pra Guerra (com Lobão e os Ronaldos)


(1986) O Rock Errou


(1987) Vida Bandida


(1988) Cuidado!


(1989) Sob o Sol de Parador


(1990) Vivo


(1991) O Inferno é Fogo


(1995) Nostalgia da Modernidade


(1998) Noite


(1999) A Vida é Doce


(2001) 2001: Uma Odisséia no Universo Paralelo


(2005) Canções Dentro da Noite Escura


(2007) Acústico MTV





  
 
Musicas:
 
 
 
 

Me Chama
Lobão

Chove lá fora e aqui, faz tanto frio
Me dá vontade de saber
Aonde está você
Me telefona
Me chama, me chama, me chama


Nem sempre se vê
Lágrimas no escuro, lágrimas no escuro
Lágrimas, cadê você


Tá tudo cinza sem você
Tá tão vazio
E a noite fica sem porque
Aonde está você, me telefona
Me chama, me chama, me chama


Nem sempre se vê
Mágicas no absurdo, mágicas no absurdo





Corações Psicodélicos
Lobão

Ainda me lembro
Daquele beijo
Spank punk violento
Iluminando o céu cinzento,
Eu quero você inteira
Gosto muito do seu jeito,
Qualquer nota bossa nova
Bossa nova qualquer nota
Eu quero você na veia

E a vida passa na tv
E o meu caso é com você
Fico louco sem saber
Sim pro sol. Sim prá lua
Eu quero você toda nua
Sim pra tudo que você quiser

Gosto muito do seu jeito,
Rock'n'roll meio nonsense
Rock'n'roll meio nonsense
Pra acabar com essa inocência
E o complexo de decência no meio do salão

E a vida passa na tv
E o meu caso é com você
Fico louco sem saber
Sim pro sol. Sim pra lua
Eu quero você toda nua
Sim pra tudo que você quiser
Hoje é festa na floresta
Toda tribo ateia som
Toda taba ateia sol só tomando água de côco
E feliz de quem tá triste
No meio dessa confusão







Vida Louca Vida
Lobão

Se ninguém olha quando você passa, você logo acha:
A vida voltou ao normal
Aquela vida sem sentido, volta sem perigo
A mesma vida tudo é sempre igual
Se alguém olha quando você passa, você logo diz: "Palhaço!"
Você acha que não tá legal
Perde logo a noção do perigo, todos os sentidos
Você passa mal

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa

Se ninguém olha quando você passa, você logo acha:
Eu tô carente, eu sou manchete popular
Já me cansei de toda essa tolice, babaquice
Dessa eterna falta do que falar

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa














Contato:
maxmarcelo79@gmail.com



Marcelo Nova (Camisa de Vênus)

O Ultimo Grande Rockeiro




Marcelo Drummond Nova (Salvador, 16 de agosto de 1951) é cantor e compositor brasileiro.







Biografia



Foi vocalista da banda baiana Camisa de Vênus, no início dos anos 1980, onde permaneceu até 1987. Em 1988 iniciou então sua carreira solo, gravando, no ano seguinte, um LP intitulado A Panela do Diabo, ao lado de Raul Seixas, que viria a falecer em 1989, com quem realiza uma turnê de cinquenta apresentações pelo Brasil. Em 1995, volta para a Camisa de Vênus, permanecendo até 1997 e retornando à carreira solo, no ano seguinte.






Em 2007, Marcelo Nova se reúne novamente com a banda Camisa de Vênus para algumas apresentações ao redor do Brasil.











 Maiores Sucessos



Os maiores sucessos de Marcelo Nova foram as músicas:

Simca Chambord (com o Camisa de Vênus)


Sílvia (com o Camisa de Vênus)


Eu Não Matei Joana D'Arc (com o Camisa de Vênus)


Carpinteiro do Universo (com Raul Seixas)


Pastor João e a Igreja Invisível (com Raul Seixas)







 Discografia


Com a Camisa de Vênus


1982 - Controle Total


1983 - Camisa de Vênus


1984 - Batalhões de Estranhos


1986 - Viva


1986 - Correndo Risco


1987 - Duplo Sentido


1995 - Camisa de Vênus Plugado


1996 - Quem É Você







 Carreira solo


1988 - Marcelo Nova e Envergadura Moral


1989 - A Panela do Diabo (em parceria com Raul Seixas )


1991 - Blackout


1994 - A Sessão Sem Fim


1998 - Eu Vi o Futuro, Baby. Ele É Passado


1999 - Grampeado em Público


2001 - Tijolo na Vidraça (caixa)


2003 - Em Ponto de Bala


2005 - O Galope do Tempo







Participações especiais


1995 - Velhas Virgens, álbum Foi Bom pra Você?, música "De Bar em Bar Pela Noite".


2003 - Charlie Brown Jr, álbum Acústico MTV, música, "Hoje".


2004 - O Baú do Raul, CD O Baú do Raul uma homenagem a Raul Seixas, músicas "Pastor João e a Igreja Invisível" e "Não Fosse o Cabral".


2004 - O Baú do Raul, DVD O Baú do Raul uma homenagem a Raul Seixas, música "Pastor João e a Igreja Invisível".







 Como ator


2007- O Magnata, papel "A Consciência do Magnata"







 Curiosidades


Marcelo é pai da apresentadora de TV da MTV Brasil Penélope Nova.


 
 
 
 





Letras
 
 
 
 
Simca Chamboard
(Marcelo Nova/Miguel Cordeiro/Gustavo Mullem/ Karl Hummel)






"Um dia meu pai chegou em casa, nos idos de 63


E da porta ele gritou orgulhoso, agora chegou a nossa vez


Eu vou ser o maior , comprei um Simca Chambord






O inverno veio impedir o meu namoro no jardim


Mas a gente fugia de noite, numa fissura que não tinha fim


Na garagem da vovó, tinha o banco do Simca Chambord






Fazendo Simca Chambord


Fazendo Simca Chambord


Fazendo Simca Chambord


Meu pai comprou um carro, ele se chama Simca Chambord






E no caminho da escola eu ia tão contente


Pois não tinha nenhum carro, que fosse na minha frente


Nem Gordini, nem Ford, o bom era o Simca Chambord






O presidente João Goulart, um dia falou na TV


Que a gente ia ter muita grana, pra fazer o que bem entender


Eu vi um futuro melhor, no painel do meu Simca Chambord






Fazendo Simca Chambord


Fazendo Simca Chambord


Fazendo Simca Chambord


Meu pai comprou um carro, ele se chama Simca Chambord






Mas eis que de repente, foi dado um alerta


Ninguém saía de casa e as ruas ficaram desertas


Eu me senti tão só dentro do Simca Chambord






Tudo isso aconteceu há mais de vinte anos


Vieram jipes e tanques que mudaram os nossos planos


Eles fizeram pior acabaram com o Simca Chambord






Acabaram com o Simca Chambord


Acabaram com o Simca Chambord


Acabaram com o Simca Chambord


Acabaram com o Simca Chambord






Eles fizeram pior


Acabaram com o Simca Chambord"






 
 
 
 
 O Adventista

(Marcelo Nova)




Eu acredito no bem e no mal

Eu acredito no imposto predial

Eu acredito, eu acredito
Eu acredito nos livros da estante

Eu acredito em Flavio Cavalcante

Eu acredito, eu acredito



Nao vai mais haver amor

Neste mundo nunca mais



Eu acredito no seu ponto de vista

Eu acredito no partido trabalhista

Eu acredito, eu acredito

Eu acredito em toda essa cascata

Eu acredito no beijo do Papa

Eu acredito, eu acredito



Nao vai mais haver amor

Neste mundo nunca mais

Eu acredito em quem anda com fé

Eu acredito em Xuxa e em Pelé

Eu acredito, eu acredito

Eu acredito na escada pro sucesso

Eu acredito em ordem e progresso

Eu acredito, eu acredito



Nao vai mais haver amor

Neste mundo nunca mais



Eu acredito que o amor atrai

Eu acredito em mamãe e em papai

Eu acredito, eu acredito

Eu acredito no Cristo que padece

Eu acredito no INPS

Eu acredito, eu acredito



Nao vai mais haver amor

Neste mundo nunca mais



Eu acredito no milagre que não vem

Eu acredito nos homens do bem

Eu acredito, eu acredito

Eu acredito nas boas intenções

Mas esse papo já encheu os meus botões

Eu não acredito

Eu não acredito



Nao vai mais haver amor

Neste mundo nunca mais








Eu Não Matei Joana D'arc
(Marcelo Nova E Gustavo Mullem)




Eu nunca tive nada com joana D'arc

Nós só nos encontramos pra passear no parque

Ela me falou dos seus dias de glória

E do que não está escrito lá nos livros de história

Que ficava excitada quando pegava na lança

E do beijo que deu na Rainha da França

Agora todos pensam que fui eu que à cremei

Mas eu não sou piromaníaco, eu juro que não sei



Ontem eu nem à vi, sei que não tenho álibi

Mas eu não matei joana D'arc



Eu nunca tive nada com Joana D'arc

Nós só nos encontramos pra passear no parque

Ela me falou que andava ouvindo vozes

E que pra conseguir dormir sempre tomava algumas doses

Uma rede internacional iludiu aquela menina

Prometendo a todo custo transformá-la em heroína

Agora estou entregue a mim mesmo e a vocês
Todos querem que eu confesse mas eu nem sei o que


Ontem eu nem à vi, sei que não tenho álibi

Mas eu não matei Joana D'arc



Não fui eu, não fui eu que matei Joana D'arc

Não fui eu, não fui eu quem matou Joana D'arc












Hoje

(Marcelo Nova / karl Hummel)






"Ouvi notícias de muito longe batendo na minha porta

Eu vi os garfos, eu vi as facas em cima da mesa posta.

Pra que mensagens e telegramas se você; chega e some

Tenho dinheiro e CPF, mas não me lembro o meu nome.



Não há; mais festa nem carnaval

Acho que eu fui enganado

Me diga as horas eu vou embora

Hoje eu tô atrasado.



Pra que escolas e faculdades não há nada pra aprender

Eu já não vejo, eu já; não penso, já não consigo escrever

Sou faixa preta, toco guitarra, um dia vou popular de asa

Durmo de dia, trabalho à noite não sei se volto pra casa.

Olho pro trânsito, olho o sinal, tá tudo engarrafado,

Vídeo cassete, computadores e homens codificados

Tem uma loira que tá a fim, a ruiva diz que me ama,

A negra quer, eu já não sei, quem é que eu levo pra cama



Tô abafado, me dá licença vê se sai da minha frente

Tenho miopia sou hipotenso, meu pé tá sempre dormente

Amsterdã via Paris acho que é nesse que eu vou

Mudei o corte do meu cabelo já nem sei como eu sou."

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Raul Santos Seixas (28 de junho, 1945 — 21 de agosto, 1989)





Raul Santos Seixas (28 de junho, 1945 — 21 de agosto, 1989) foi um famoso cantor e compositor brasileiro, frequentemente considerado o pioneiro do BRock e conhecido por suas canções que abrangem o misticismo e o oculto. Raul Seixas também foi produtor musical da CBS durante sua estadia no Rio de Janeiro. Ele às vezes é chamado de "Pai do Rock Nacional" e "Maluco Beleza".







Sua obra musical é composta de 21 discos lançados em seus 20 anos de carreira e seu estilo musical é tradicionalmente classificado como rock e baião, e de fato conseguiu unir ambos os gêneros em músicas como "Let Me Sing, Let Me Sing". Seu álbum de estreia, Raulzito e os Panteras (1968), foi produzido quando ele integrava o grupo Os Panteras, mas só ganhou notoriedade crítica e de público com as músicas de Krig-Ha, Bandolo! (1973), como "Ouro de Tolo", "Mosca na Sopa", "Metamorfose Ambulante". Raul Seixas adquiriu um estilo musical que o creditou de "contestador e místico", e isso se deve aos ideais que vindicou, como a Sociedade Alternativa apresentada em Gita (1974), influenciado por figuras como Aleister Crowley.






Raul se interessava por filosofia (principalmente metafísica e ontologia), psicologia, história, literatura e latim e algumas crenças dessas correntes foram muito aproveitadas em sua obra, que possuía uma recepção boa ou de curiosidade por conta disso. Ele conseguiu gozar de uma audiência relativamente alta durante sua vida, e mesmo nos anos 80 continuou produzindo álbuns que venderam bem, como Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! (1987) e A Panela do Diabo (1989), esse último em parceria com Marcelo Nova, e sua obra musical tem aumentado continuamente de tamanho, na medida que seus discos (principalmente álbuns póstumos) continuam a ser vendidos, tornando-o um símbolo do rock do país e um dos artistas mais cultuados e queridos entre os fãs nos últimos quarenta anos.






Em Outubro de 2008, a revista Rolling Stone Brasil promoveu a Lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira, cujo resultado colocou Raul Seixas figurando a posição 19ª, encabeçando nomes como Milton Nascimento, Maria Bethânia, Heitor Villa-Lobos e outros. No ano anterior, a mesma revista promoveu a Lista dos Cem Maiores Discos da Música Brasileira, onde seu Krig-Ha, Bandolo! de 1973 atingiu a 12ª posição, demonstrando que o vigor musical de Raul Seixas continua a ser considerado importante hoje em dia.


 Infância


"Quando eu era guri, lá na Bahia, música para mim era uma coisa secundária. O que me preocupava mesmo eram os problemas da vida e da morte, o problema do homem, de onde vim, para onde vou (...)"


—Raul Seixas










Raul Santos Seixas nasceu às 8 horas da manhã em 28 de Junho de 1945 numa família de classe média baiana que vivia na Avenida Sete de Setembro, Salvador. Seu pai, Raul Varella Seixas, era engenheiro da estrada de ferro e sua mãe, Maria Eugênia Santos Seixas, se dedicava às atividades domésticas. No próximo mês ele foi registrado no Cartório de Registro Civil de Salvador com o nome do pai e do avô paterno. Em 16 de setembro do mesmo ano, batizaram-no na Igreja Matriz da Boa Viagem.






Em 4 de dezembro de 1948, Raul Seixas ganhou um irmão, o único, Plínio Santos Seixas, com quem teria um bom relacionamento durante sua infância. Os estudos de Raul Seixas começaram em 1952, onde frequentou o curso primário estudando com a professora Sônia Bahia. Concluído o curso em 1956, fundou o Club dos Cigarros com alguns amigos. O trágico percurso escolar de Raul Seixas se iniciaria em 1957, quando ele ingressou no ginásio Colégio São Bento, onde foi reprovado na 2ª série por três anos. Um dos motivos da reprovação, segundo alguns biógrafos, é que ele, em vez de ir assistir as aulas, ouvia rock and roll — em seus primórdios — na loja Cantinho da Música. No mesmo ano, em 13 de Julho, Raul Seixas fundou o Elvis Rock Club com o amigo Waldir Serrão. Segundo a jornalista Ana Maria Bahiana, é através de Serrão que Raul Seixas começou a sair de casa e a manter uma vida social mais ampla. Segundo Raul, o encontro com Waldir foi fantástico: "me preparei todo, botei a gola pra cima, botei o topete, engomei o cabelo, e fiquei esperando ele, masclando chiclete". O Elvis Rock Club era como uma gangue, que procurava brigas na rua, fazia arruaça, roubava bugigangas e quebrava vidraças. Embora Raul não gostasse muito disso, "ia na onda, pois o rock (pelo menos ao meu ver) tinha toda uma maneira de ser".






Então, a família resolveu matricular Raul num colégio de padres, o Colégio Interno Marista, onde ele alcançou a 3ª série em 1960, mas acabou repetindo o estágio em 1961. Ao que tudo indica, nessa época Raul Seixas começou a se interessar pela leitura. O pai de Raul Seixas amava os livros e possuía uma biblioteca em casa. Tão logo decifrou o mistério das letras, o garoto pôs-se a ler os volumes que encontrava na biblioteca do pai Raul. Sendo assim, as histórias que lia na biblioteca fermentavam sua imaginação e, com os cadernos do colégio, fazia desenhos, criava personagens, enredos, para depois vender ao irmão quatro anos mais novo, que acabava ficando interessado e comprava os esboços. Segundo Raul, um dos personagens principais dessas histórias era um cientista maluco chamado "Mêlo" (algo como "amalucado"), que viajava para diversos lugares imáginarios como o Nada, o Tudo, Vírgula Xis Ao Cubo, Oceanos de Cores. Segundo Raul, Melô era sua "outra parte, a que buscava as respostas, o eu fantástico, viajando fora da lógica em uma maquinazinha em que só cabia um só passageiro... Melô-eu." Plínio ficava horas ouvindo o irmão contar suas histórias, dentro do quarto dos dois, e Raul frequentemente encenava os personagens como um ator.






Ambos os irmãos tinham algo em comum: adoravam literatura, mas odiavam a escola. Mais tarde, já maduro, Raul Seixas diria: "Eu era um fracasso na escola. A escola não me dizia nada do que eu queria saber. Tudo o que aprendia era nos livros, em casa ou na rua. Repeti cinco vezes a segunda série do ginásio. Nunca aprendi nada na escola. Minto. Aprendi a odiá-la." De um modo ou de outro, Raul Seixas precisava frequentar a escola vez ou outra. Em uma determinada ocasião, o pai perguntou a Raul como ele ia na escola e pediu seu boletim. Raul mostrou um boletim falsificado, com todas as matérias resultando em um 10. O pai questionava se ele havia estudado, mas Maria Eugênia interrompia, dizendo algo como "Estudou nada, ficou aí ouvindo rock o tempo inteiro, essa porcaria desse béngue-béngue, de élvis préji, de líri ríchi e gritando essas maluquices." Os pais de Raul, como toda a geração da época, estranhavam o rock e ele não era muito bem vindo entre as famílias.






 Os Panteras


Embora Raul mantesse um gosto muito sincero pela música, seu sonho maior era ser escritor como Jorge Amado. Na sua cidade, escutavam Luís Gonzaga todos os dias, nas praças, nas casas, em todos os estabelecimentos.






 Auge e queda


No início dos anos 1970, Raul se interessou por um artigo sobre extraterrestres publicado na revista A Pomba e teve o seu primeiro contato com o escritor Paulo Coelho, que mais tarde, se tornaria seu parceiro musical.






No ano de 1973, Raul conseguiu um grande sucesso com a música "Ouro de Tolo" no álbum Krig-Ha, Bandolo, uma música com letra quase autobiográfica, mas que debocha da Ditadura e do "Milagre Econômico".






O mesmo LP também continha outras músicas que se tornaram grandes sucessos, como: "Metamorfose Ambulante, "Mosca na Sopa" e Al Capone.






Raul Seixas finalmente alcançou grande repercussão nacional como uma grande promessa de um novo compositor e cantor.[carece de fontes?] Porém, logo a imprensa e os fãs da época foram aos poucos percebendo que Raul não era apenas um cantor e compositor.






No ano de 1974, Raul Seixas e Paulo Coelho criam a Sociedade Alternativa, uma sociedade baseada nos preceitos do bruxo inglês Aleister Crowley, onde a principal lei é "Faze o que tu queres, há de ser tudo da Lei". Em todos os seus shows, Raul divulgava a Sociedade Alternativa com a música de mesmo nome. A Ditadura, então, através do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) prendeu Raul e Paulo, pensando que a Sociedade Alternativa fosse um movimento armado contra o governo. Depois de torturados, Raul e Paulo foram exilados para os Estados Unidos onde Raul Seixas teria supostamente se encontrado com John Lennon. No entanto, o seu LP Gita gravado poucos meses antes faz tanto sucesso com a música "Gita", que a Ditadura achou melhor trazer os dois de volta ao Brasil para não levantar suspeitas sobre seus desaparecimentos.[carece de fontes? O álbum Gita rendeu a Raul um disco de ouro, após vender 600.000 cópias. Ainda neste ano, Raul separa-se de Edith, que vai para os Estados Unidos com a filha do casal, Simone.






Em 1975, casa-se com Gloria Vaquer, e grava o LP Novo Aeon, onde Raul compôs uma de suas músicas mais conhecidas, "Tente Outra Vez". O LP, porém, vendeu menos de 60 mil cópias.






Em 1976, Raul supera a má-vendagem do disco anterior com o disco Há Dez Mil Anos Atrás. Neste mesmo ano, nasce sua segunda filha, Scarlet.






Naquele final de década as coisas começaram a ficar ruins para Raul. A parceria com Paulo Coelho é desfeita. O cantor lança três discos pela WEA (hoje Warner Music Brasil), a partir de 1977, que fizeram sucesso de público e desgosto na crítica (O Dia Em Que A Terra Parou, que continha canções como "Maluco Beleza" e "Sapato 36"; Mata Virgem, em 1978 e Por Quem Os Sinos Dobram, em 1979). Por volta deste período, intensifica-se a parceria com o amigo Cláudio Roberto Andrade de Azevedo (geralmente creditado como Cláudio Roberto), com quem Raul compôs várias de suas canções mais conhecidas.






A partir do ano de 1978, começa a ter problemas de saúde devido ao consumo de álcool, que lhe causa a perda de 1/3 do pâncreas.[carece de fontes?] Separa-se de Glória, que vai embora para os EUA levando a filha Scarlet. Neste ano, conhece Tania Menna Barreto, com quem passa a viver.






No ano de 1979, separa-se de Tania. Começa então a depressão de Raul Seixas junto com uma internação para tratar do alcoolismo. Conhece Angela Affonso Costa, a Kika Seixas, sua quarta companheira.


Raul e Paulo Coelho



 Altos e baixos


No ano de 1980, assina novamente contrato com a CBS (desta vez como cantor) lançando mais um álbum, Abre-te Sésamo, que contém outros sucessos e têm as faixas "Rock das 'Aranha'" e "Aluga-se" censuradas. Logo depois o contrato é rescindido.






Em 1981 nasce a terceira filha, Vivian, fruto de seu casamento com Kika.






Em 1982 faz um show na praia do Gonzaga, em Santos, reunindo mais de 150 mil pessoas. No mesmo ano, Raul apresenta-se bêbado em Caieiras, São Paulo, e é quase linchado pela platéia que não acredita que Raul é o próprio, mas um impostor.






Desde 1980 Raul estava sem gravadora e agora também sem perspectiva de um novo contrato. Mergulhado na depressão, Raul afunda-se nas drogas. Porém, em 1983, Raul é convidado para gravar um disco pelo Estúdio Eldorado. Logo depois, Raul é convidado para gravar o especial infantil Plunct, Plact, Zuuum da Rede Globo, onde canta a música "Carimbador Maluco". O álbum Raul Seixas (1983), que continha a canção, dá à Raul mais um disco de ouro. Em 1984 grava o LP "Metrô Linha 743" pela gravadora Som Livre. Mas depois Raul teve as portas fechadas novamente, devido ao seu consumo excessivo de álcool e constantes internações para desintoxicação. Também em 1984 a Eldorado lança o disco Ao Vivo - Único e Exclusivo.






Em 1985, separa-se de Kika Seixas. Faz um show em 1 de dezembro 1985, no Estádio Lauro Gomes, na cidade de São Caetano do Sul. Só voltaria a pisar no palco no ano de 1988, ao lado de Marcelo Nova.






Conseguindo um contrato com a gravadora Copacabana, em 1986 (de propriedade da EMI), grava um disco que foi lançado somente no ano seguinte, devido ao alcoolismo de Raul. O disco Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! faz grande sucesso entre os fãs, chegando a ganhar disco de ouro e estando presente até em programas de televisão, como o Fantástico. Nesta época, conhece Lena Coutinho, que se torna sua companheira. A partir desse ano, estreita relações com Marcelo Nova (fazendo uma participação no disco Duplo Sentido, da banda Camisa de Vênus).






Um ano mais tarde, 1988, já separado de Lena, faz seu último álbum solo, A Pedra do Gênesis.






A convite de Marcelo Nova, faz alguns shows em Salvador, após três anos sem pisar num palco.






No ano de 1989, faz uma turnê com Marcelo Nova, agora parceiro musical, totalizando 50 apresentações pelo Brasil. Durante os shows, Raul mostra-se debilitado. Tanto que só participa de metade do show, a primeira metade é feita somente por Marcelo Nova.





 "Canto Para Minha Morte"






Universo Alternativo - fantasia sobre o "Profeta" Raul Seixas.As 50 apresentações pelo Brasil resultaram naquele que seria o último disco lançado em vida por Raul Seixas. O disco foi intitulado de A Panela do Diabo, que foi lançado pela Warner Music Brasil no dia 21 de agosto de 1989.






Na manhã desse mesmo dia,Raul Seixas foi encontrado morto sobre a cama pela sua empregada Dalva, por volta das oito horas da manhã, vítima de uma parada cardíaca: seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético, e por não ter tomado insulina na noite anterior, causaram-lhe uma pancreatite aguda fulminante. O LP A Panela do Diabo vendeu 150.000 cópias, rendendo a Raul um disco de ouro póstumo, entregue à sua família e também a Marcelo Nova, tornando-se assim um dos discos de maior sucesso de sua carreira.





 Após a morte






Festival em Belo Horizonte, realizado em 2009 em homenagem a Raul Seixas. Dois participantes estão caracterizados segundo a fisionomia de Raul.Depois de sua morte, Raul permaneceu entre as paradas de sucesso. Foram produzidos vários álbuns póstumos, como O Baú do Raul (1992), Raul Vivo (1993 - Eldorado), Se o Rádio não Toca... (1994 - Eldorado) e Documento (1998). Inúmeras coletâneas também foram lançadas, como Os Grandes Sucessos de Raul Seixas de (1993), a grande maioria sem novidades, mas algumas com músicas inéditas como As Profecias (com uma versão ao vivo de "Rock das Aranhas") de 1991 e Anarkilópolis (com "Cowboy Fora da Lei Nº2") de 2003. Sua penúltima mulher, Kika, já produziu um livro do cantor (O Baú do Raul), baseado em escritos dos diários de Raul Seixas desde os seis anos de idade até a sua morte.






Em 2004, o canal a cabo Multishow promoveu um show especial de tributo a Raul, intitulado O Baú do Raul: Uma Homenagem a Raul Seixas. O show, gravado na Fundição Progresso (Rio de Janeiro) e lançado em CD e DVD, contou com artistas como Toni Garrido, CPM 22, Marcelo D2, Gabriel o Pensador, Arnaldo Brandão, Raimundos, Nasi, Caetano Veloso, Pitty e Marcelo Nova (os três últimos baianos, como Raul).






Mesmo depois de sua morte, Raul Seixas continua fazendo sucesso entre novas gerações. Vinte anos depois de sua morte, o produtor musical Mazzola, amigo pessoal de Raul, divulgou a canção inédita "Gospel", censurada na década de 1970. A canção foi incluída na trilha sonora da telenovela Viver a Vida, da Rede Globo.









Gita

Raul Seixas

Composição: Raul Seixas / Paulo Coelho



- Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando, foi justamente num sonho que Ele me falou:



Às vezes você me pergunta

Por que é que eu sou tão calado,

Não falo de amor quase nada,

Nem fico sorrindo ao teu lado.



Você pensa em mim toda hora.

Me come, me cospe, me deixa.

Talvez você não entenda,

Mas hoje eu vou lhe mostrar.



Eu sou a luz das estrelas;

Eu sou a cor do luar;

Eu sou as coisas da vida;

Eu sou o medo de amar.



Eu sou o medo do fraco;

A força da imaginação;

O blefe do jogador;

Eu sou!... Eu fui!... Eu vou!...



Gita! Gita! Gita!

Gita! Gita!



Eu sou o seu sacrifício;

A placa de contra-mão;

O sangue no olhar do vampiro

E as juras de maldição.



Eu sou a vela que acende;

Eu sou a luz que se apaga;

Eu sou a beira do abismo;

Eu sou o tudo e o nada.



Por que você me pergunta?

Perguntas não vão lhe mostrar

Que eu sou feito da terra,

Do fogo, da água e do ar!



Você me tem todo dia,

Mas não sabe se é bom ou ruim.

Mas saiba que eu estou em você,

Mas você não está em mim.



Das telhas eu sou o telhado;

A pesca do pescador;

A letra "A" tem meu nome;

Dos sonhos eu sou o amor.



Eu sou a dona de casa

Nos pegue pagues do mundo;

Eu sou a mão do carrasco;

Sou raso, largo, profundo.



Gita! Gita! Gita!

Gita! Gita!



Eu sou a mosca da sopa

E o dente do tubarão;

Eu sou os olhos do cego

E a cegueira da visão.



Eu!

Mas eu sou o amargo da língua,

A mãe, o pai e o avô;

O filho que ainda não veio;

O início, o fim e o meio.

O início, o fim e o meio.

Eu sou o início,

O fim e o meio.

Eu sou o início

O fim e o meio.

domingo, 24 de outubro de 2010

Os Melhores do Rock Nacional de Todos os Tempos








Caros leitores, vamos começar nesta nova faze, as matérias sobre “Os Melhores do Rock Nacional de Todos os Tempos”. Desta vez falaremos sobre os melhores e maiores músicos, bandas e compositores do rock brasileiros, sem uma ordem cronológica, abordando estilo, obras e suas influencias dentro do contesto do Rock Nacional.







Nos vemos em breve........








Rock brasileiro na década de 1980

 




 O rock brasileiro da década de 80, também considerado por muitos como pop rock nacional dos anos 80, foi um movimento musical que surgiu já no início da década. Ganhou até mesmo um apelido, o BRock, dado por Nelson Motta. É caracterizado por influências variadas, indo do new wave, passando pelo punk e o próprio conteúdo pop emergente do final da década de 70. Ainda assim, em alguns casos, tomou por referência ritmos como o reggae e a soul music . Suas letras falam na maioria das vezes sobre amores perdidos ou bem sucedidos, não deixando de abordar é claro algumas temáticas sociais. O grande diferencial das bandas deste período era a capacidade de falar sobre estes assuntos sem deixar a música tomar um peso emocional ou político exagerados. Fora a capacidade que seus integrantes tinham de falar a respeito de quase tudo com um tom de ironia, outra característica marcante do movimento. Outra particularidade típica foi o visual próprio da época; cabelos armados ou bastante curtos para as meninas, gel, roupas coloridas e extravagantes para os meninos e a unissexualidade de tudo isso, herança direta do Glam Rock de Marc Bolan, David Bowie e seus discípulos, como o Kiss e The Cure.








Tudo começou com o surgimento de bandas como a Gang 90 e as Absurdettes, seguida por sua contrapartida carioca, a Blitz e seu grande sucesso "Você não soube me amar", de 1982, tendo integrantes como Lobão, Evandro Mesquita e Fernanda Abreu, artistas em voga até hoje. O sucesso iminente dessas bandas impulsionou o lançamento de produtos infantis como revistas em quadrinhos e álbuns de figurinhas, tamanha a popularidade obtida com este público específico. O auge da Blitz aconteceu em 1985, no show do Rock in Rio. Liderada por Evandro Mesquita, a banda tinha como característica marcante as performances teatrais no palco, que se tornaram grandes brincadeiras responsáveis pela animação coletiva do público que comparecia aos shows. Mas não eram apenas apresentação musicais: envolviam música e muita interpretação, o que tornaria o show da banda um referencial de espetáculo para os músicos que começavam a surgir. O sucesso da Blitz foi a porta de entrada para outras bandas que ensaiavam escondidas em suas garagens.




 Blitz



Em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Brasília pipocavam bandas no início dos anos 80. No sudeste do país, o Rio de Janeiro revelou vários conjuntos. Os shows no “Circo Voador”, local que se tornou o berço de várias bandas que estouraram naquela época, revelaram Paralamas do Sucesso, Kid Abelha e Os Abóboras Selvagens, Gang 90 e as Absurdettes, Barão Vermelho, entre outras. Destas, as que tiveram mais destaque (e continuam tocando e fazendo relativo sucesso até hoje) são os Paralamas, Kid Abelha e Barão Vermelho.









Estas últimas remanescentes reúnem muitas das características do rock daquela geração. Os Paralamas do Sucesso, por exemplo, apostaram na mistura do rock com reggae e ritmos africanos, exemplificado nas faixas do disco "Selvagem?", de [[1986] especialmente em "Alagados" e "A Novidade". Tudo isso, adicionado a um apelo pop influenciado pelo rock inglês da época, formou um tipo de som considerado revolucionário ao público e crítica daqueles anos. A banda também mostrou, principalmente no disco anterior,“O Passo do Lui”, muitas influências da banda inglesa “The Police”.







O Kid Abelha apostou mais no som com influências do pop, da new wave e da jovem guarda. Músicas como “Por Que Não Eu?”, “Como Eu Quero”, “Pintura Íntima” e “Fixação” são seus exemplos mais vivos.








Já o Barão Vermelho fixou-se no rock mais tradicional, aliado à força das letras poéticas do vocalista Cazuza. Em seus primeiros passos como uma banda, no começo da década, suas influências diretas eram o blues e o rock'n roll clássico dos Rolling Stones. Canções como “Maior Abandonado”, “Bete Balanço” (ainda com Cazuza na banda) e “Pense e Dance” (com Roberto Frejat assumindo os vocais depois da saída de Cazuza em carreira solo) são algumas das mais marcantes da geração Coca-Cola.








As bandas paulistas também tiveram importante papel no cenário que havia se formado. Algumas das principais referências vindas deste estado eram Ultraje a Rigor, RPM, Titãs e Ira!.









Influenciados pelo punk e pelo rock mais pesado, o IRA! e os Titãs trilharam caminhos parecidos. Ambas tiveram como característica os altos e baixos nos números de vendas de discos. Além disso, uma curiosidade que liga especialmente as duas bandas: em 1985, Titãs e IRA! trocam de bateristas, saindo Charles Gavin do IRA! e indo para os Titãs, e André Jung fazendo a trajetória inversa. Ambos ainda tocam com suas respectivas bandas até hoje.









O Ultraje a Rigor, a exemplo do Barão Vermelho no Rio de Janeiro, apostou todas as fichas na força do puro rock'n roll. Mas as duas bandas tinham uma grande diferença. Enquanto a banda liderada por Cazuza e Roberto Frejat calcava a carreira cada vez mais na seriedade de suas letras (que questionavam, entre outros assuntos, as condições da sociedade da época), a banda liderada por Roger Moreira falava destes problemas com ironia e um deboche escrachado. Músicas como "Inútil" - citada até pelo político Ulisses Guimarães na época das "Diretas Já" - viraram hinos da juventude bem humorada e cansada dos tempos difíceis da ditadura, tanto pelo aspecto econômico quanto por outros problemas que cresceram no país, durante os anos 80. Curiosidade: o riff de guitarra de "Inútil" foi composto pelo guitarrista da banda na época, Edgar Scandurra, que depois se tornaria guitarrista e principal compositor do IRA!.









São Paulo trouxe à tona também o maior fenômeno de vendas das bandas dos anos 80. O RPM, liderado pelo carisma do vocalista Paulo Ricardo, quebrou recordes de vendagens de discos e de shows no país, em um fenômeno nunca antes visto em terras brasileiras. Faixas como “Rádio Pirata”, “Louras Geladas”, “Olhar 43” e “A Cruz e a Espada”, do primeiro disco da banda, "Revoluções Por Minuto", foram sucessos em rádios de todo o Brasil. Para aproveitar o sucesso, um ano depois do primeiro disco eles lançam “Rádio Pirata Ao Vivo”. As versões ao vivo de músicas já consagradas do primeiro álbum, mais faixas inéditas (“Alvorada Voraz”) e covers (“London London”, de Caetano Veloso) agradaram em cheio o público, fazendo com que o álbum vendesse 2,2 milhões de cópias. As características da banda são baseadas na mescla de teclados, sintetizadores, guitarras e baterias eletrônicas em alguns momentos, aliados ao vocal carismático de Paulo Ricardo, que virou símbolo sexual da época.













O Rio Grande do Sul, apesar de afastado do eixo Rio - São Paulo, revelou bandas importantes do cenário rock dos anos 80. Os destaques foram as bandas Engenheiros do Hawaii e Nenhum de Nós.









Os Engenheiros do Hawaii surgem no ano de 1986, com o disco “Longe Demais das Capitais”. As letras do vocalista Humberto Gessinger chamaram a atenção pela crítica ácida aos padrões da sociedade da época e, durante os discos seguintes da banda, arrebanharam milhões de fãs fiéis em todo o país. Durante a década, a característica principal da sonoridade dos Engenheiros era o entrosamento dos três integrantes. Humberto Gessinger, que assume o baixo no segundo disco, "A Revolta dos Dândis", de 1987; Augusto Licks, guitarrista que se junta à banda depois do lançamento do primeiro disco; e Carlos Maltz, baterista, eram os músicos que tinham como influências bandas como o "Rush" e "Emerson, Lake and Palmer", sempre misturando o rock com as sonoridades tradicionais gaúchas, do estado do Rio Grande do Sul.









O Nenhum de Nós nasce em 1987, com o disco "Nenhum de Nós". A banda, liderada pelo vocalista e baixista Thedy Corrêa, tinha influências de rock inglês, música folk americana e elementos da música regional gaúcha, a exemplo do Engenheiros do Hawaii. As características da banda são vistas em músicas como "Camila, Camila" e "Astronauta de Mármore", uma versão de "Starman" do roqueiro inglês David Bowie









Em Brasília existia um circuito de bandas. Tudo começou com o Aborto elétrico (1980), banda formada por Renato Russo(voz e guitarra),Fé Lemos(bateria) e seu irmão Flávio Lemos(baixo). No ano em que o Aborto se separou, surgiram as bandas de Brasília Plebe Rude, Legião Urbana e Capital Inicial, que depois se tornaram famosas.









Da Bahia surgiu a banda Camisa de Vênus, liderada por Marcelo Nova, amigo e sob nítida influência de Raul Seixas, e também do punk rock inglês. Havia muita resistência das gravadoras ao nome da banda, considerado de difícil divulgação. Seu principais sucessos são "Simca Chambord", "Sílvia Piranha", "Eu não matei Joana D'Arc".













Hoje em dia, há uma movimentação que mostra algumas bandas do BRock voltando à ativa, mesmo que apenas para shows. O saudosismo do público com os artistas daquela época colabora para que a "onda anos 80" esteja mais forte do que nunca, marcando inúmeros lançamentos de coletâneas, remasterização de discos, livros sobre a época e sites de discussão na Internet.